16.06.07
O escritor Benito Barreto foi a atração de sábado no Encontro Marcado
Ignácio Costa
Luís Giffoni entrevista o escritor Benito Barreto
 
O veterano escritor Benito Barreto foi o convidado desta noite de sábado para o Encontro Marcado. Entrevistado pelo também escritor Luis Giffoni, Barreto fez uma síntese de sua obra mais importante: a Tetralogia Os Guaianãs.
 
Para explicá-la, o escritor mineiro, nascido em 1929, lembrou de seu passado como revolucionário comunista e da doença que o impediu de prosseguir na luta. Em 1962, já casado, lançou o primeiro da série, intitulado “Plataforma Vazia”, que venceu o Prêmio Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte. O enredo era em grande parte inspirado nas viagens de Barreto pelo Rio São Francisco, incluindo sua fase de comunista ativo.
 
Já o segundo volume, “Capela dos Homens”, foi lançado em meio ao Golpe Militar, o que levou o autor a fazer uma série de referências ao fatídico episódio. O livro termina em meio a uma grande luta armada, liderada por latifundiários, clero local e militares, que espelhava a situação do Brasil. A resistência era comandada pelos Guaianãs. Chegando ao terceiro volume da tetralogia, intitulado “Mutirão para Matar”, que começa a sua narrativa exatamente após o ‘31 de março’, dia do Golpe Militar real e do livro. O quarto e último volume, “Cafaia”, lançado em 1975, trazia o aguardado desfecho da contra-revolução.
 
Atualmente, Benito Barreto garantiu que segue com sua rebeldia, que sempre marcou a sua obra. Porém, chegou a um grau de pessimismo e desânimo com o presente, que teve que recorrer a um passado mais distante em seu novo trabalho. Será uma trilogia de 1000 páginas contando a história da Inconfidência Mineira, tema que fascina o escritor. “O fantástico na Inconfidência Mineira é que ela precede a Revolução Francesa! Vila Rica naquele tempo estava em dia com o mundo e o que ele tinha de melhor”, comentou.
Indagado sobre o futuro da literatura, Barreto não deixou escapar: “não vamos conseguir competir com a TV, internet e outros. Mas aquele aconchego do livro, de conviver com os personagens, só você, o livro e seu universo, é completamente único”.